Quem explora o trabalhador é o patrão. Será mesmo?

Será mesmo que o patrão, empreendedor explora o trabalhador? Isso realmente é verdade? É incrivelmente comum ainda hoje nos depararmos com diversas reclamações e discursos de todos os tipos, especialmente em algumas escolas e universidades com suas doutrinações, endossando a tese de que você é constantemente explorado pelo seu patrão, pelo mercado ou até mesmo pelos empresários gananciosos. Todos eles seriam os responsáveis por nunca sobrar aquele dinheiro a mais no fim do mês, pelo atraso no pagamento de algumas contas ou por ter de reajustar toda sua vida financeira por ter tido seu poder de compra reduzido.

Afinal de contas, essa gente tira tudo de você. Ainda por cima, te pagam muito pouco e exigem que você trabalhe muito; aumentam preços só para te ferrar e lucrar mais; controlam o mercado em benefício próprio enquanto o consumidor se lasca. Em outras palavras: há uma clara exploração de seu esforço, o qual não é reconhecido e remunerado da forma que merecia. Isso sem falar nos gananciosos que controlam o mercado e deixam tudo mais caro propositalmente.

Todavia, você já parou para pensar em quem realmente te explora? E se eu te dissesse que tanto você quanto seu patrão são vítimas do mesmo explorador? E se eu te dissesse que, talvez, seu patrão até gostaria de dar um aumento a você e aos demais funcionários, mas não o faz pois é obrigado a arcar com uma variedade de despesas que lhe são impostas, impedindo-o de pagar salários maiores? E se eu te dissesse que empresários adorariam que seus produtos fossem vendidos a preços mais baixos, de forma a atrair mais consumidores, mas fazê-lo é tarefa praticamente impossível por conta dos encargos que incidem sobre o preço do produto?


Imagem/Reprodução: VEJA

Como você pode observar o gráfico acima, é impressionante a quantidade de impostos vigentes no nosso país. Por isso, sim devemos EXIGIR que os mesmos sejam reinvestidos no nosso Brasil, e não na mão de políticos e empresários que ficam “mamando” nas tetas do governo.

Além disso, é impressionante como muitas pessoas realmente acreditam que é o seu empregador que “rouba” o fruto do seu trabalho, você simplesmente ignora o fato de que impostos consomem ¾ do seu salário, ou seja, cerca de 75% de sua renda é destinada unicamente ao ente estatal (e não para o seu patrão, ao contrário do que se possa imaginar), sobrando muito pouco do que você merecidamente conquistou para você e toda a sua família.

De igual modo, você simplesmente esquece das políticas econômicas desastrosas que levaram ao aumento da inflação, que consome o seu salário num ritmo galopante. Por fim, ignora completamente o fato de dedicar 5 meses do ano somente ao pagamento de impostos. Afinal de contas, se está faltando dinheiro a culpa só pode ser do patrão que te paga mal. Não é mesmo caro leitor?


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Entrando nesse mérito, já parou para se perguntar o motivo pelo qual seu patrão não lhe dá um belo aumento no salário? Isso também deixa de ocorrer, por vezes, por culpa do ente estatal. Acontece que o custo de um trabalhador para a empresa vai muito além do salário. Ou seja, a empresa, ao arcar com custos de “benefícios”, entre aspas, automaticamente fica impedida de dispor de um salário maior para ofertar aos empregados e aumentar o número de seus respectivos colaboradores.

Para se ter uma ideia, em um vídeo muito bacana do Jornal da Band, é mostrado que uma empresa que contrata um empregado pelo salário de R$ 4.000,00 terá um custo de, no mínimo, R$ 5.472,00 por mês com esse funcionário. Esse aumento decorre da incidência de encargos adicionais (famosos “benefícios”), como INSS, FGTS e Férias, todos recolhidos pelo empregador. Isso sem mencionar vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde, adicional de insalubridade, adicional noturno, auxílio família, dentre muitos outros fatores.

O gasto, portanto, pode chegar a 80% do valor real do salário. Desse modo, um empregado que recebe R$ 4.000,00 de salário custa para a empresa, na verdade, R$ 7.200,00. Talvez agora fique mais evidente entender as grandes demissões em massa que temos acompanhado nos últimos anos em nosso país. Nem todas as empresas conseguem suportar tantos encargos (impostos abusivos e “benefícios”), ainda mais em tempos de crise, e acabam vendo-se obrigadas a demitir funcionários. Mas quem é o culpado? O patrão, é claro.

Além disso, seguindo o mesmo exemplo, o trabalhador que recebe R$ 4.000,00 terá descontado de seu salário o equivalente a R$ 440,00 com INSS e R$ 263,87 com Imposto de Renda, sobrando-lhe apenas R$ 3.296,13. Ao final de tudo, conforme demonstra a referida reportagem, você fica com apenas 22% do que produziu, enquanto o governo fica com a fatia de 78%. Diante desses dados, fica fácil constatar que quem atrapalha a geração de empregos e retarda o crescimento econômico não é o patrão ou os empresários gananciosos, mas sim o próprio ente estatal, que de forma proposital engessa as relações de trabalho, sobrecarregando empregadores e impedindo que empregados recebam salários mais altos.


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Por fim, jamais devemos esquecer o quanto as políticas do governo influem nos preços de todos os produtos que consumimos todos os dias. Antes de reclamar das empresas e empresários que supostamente só querem saber de lucrar às suas custas, pense da seguinte forma: seria vantajoso ao empresário aumentar o preço de seus produtos indiscriminadamente pensando somente em lucrar mais? Isso não acarretaria, na verdade, queda nas vendas e, portanto, no lucro final da empresa, ainda mais considerando o cenário atual de desemprego gigantesco no nosso Brasil? Não faria mais sentido que as empresas vendessem seus produtos a preços mais baixos de forma a conquistar a preferência do consumidor e, por consequência, lucrar substancialmente muito mais? Pense nisso.

Temos aqui mais um mito a ser desmentido: ao jogarmos toda a culpa no empresariado por conta de preços altíssimos, simplesmente esquecemos de responsabilizar quem efetivamente encarece os produtos: o governo, seja federal ou estadual, através do aumento das alíquotas de impostos embutidos nos produtos que compramos ou aumento dos impostos que incidem diretamente sobre o preço real da mercadoria.

Feitas essas considerações, fica claro que estamos diante de uma falácia que, de tanto repetida, inclusive nas escolas (experiência própria!), quase se tornou verdade absoluta. E continuar acreditando nela se encaixa perfeitamente nos planos de quem vive de tomar à força os grandiosos frutos de quem produz – seja de você ou de seu patrão.

É extremamente conveniente para o ente estatal que você siga acreditando que empregadores e empresários são os verdadeiros exploradores desse mundo em que vivemos. Afinal, desse modo, fica fácil te explorar ainda mais sem que você perceba, acabando com qualquer possibilidade de reação contra o verdadeiro responsável por encolher suas finanças e seu poder de compra.

Para finalizar, termino o artigo aqui no meu blog com esse post reflexivo mostrando os impostos abusivos embutidos em um brinquedo adquirido na loja Ri Happy Brinquedos.

 

Juan de Souza

Tenho 19 anos, Fundador & CEO do TFX Startup International, uma empresa com produtos, serviços e projetos inovadores. Meu primeiro empreendimento foi aos 10 anos utilizando conexão dial-up (discada).